O Rio logrou na última década reduzir a sua taxa de homicídios no estado, na capital e na maior parte dos municípios da cidade metropolitana, mas sob pena de ver aumentar a desigualdade. Enquanto a capital celebrou uma queda de 52% nas mortes violentas entre 2005 e 2015, o conjunto do estado o fez em apenas 37% no mesmo período. Se a taxa média conjunta na região metropolitana de 32,1 homicídios por 100.000 habitantes – ou quase 4.000 mortes – a cada ano é ainda elevada, os números de municípios como Seropédica e Queimados, com taxas correspondentes a 64,1 e 74,5 mortes anuais, seguem explicitando o contraste. Ao lado de seus vizinhos na Baixada e de bairros da Zona Oeste na capital, compõem os núcleos da violência letal na cidade, exigindo o foco prioritário das políticas de segurança pública.

Em 2015, a Baixada registrou taxa de 45,4 vítimas de letalidade violenta para cada 100 mil habitantes. No município do Rio, essa taxa é de 24,1 por 100 mil.

A desigualdade não é apenas espacial: jovens negros, moradores de favelas e periferias, são sabidamente os alvos preferenciais dessas mortes, representando mais de três quartos delas a cada ano. E a letalidade, como sabemos, não é apenas fruto de confrontos entre cidadãos, mas tem na polícia não raro um de seus principais combustíveis: em 2015, ações policiais resultaram em 645 mortes registradas no estado – 13% do total de homicídios – enquanto 26 policiais perderam a vida em serviço.

Conhecidos de todos e reiterados a cada ano, bem mais do que um apelo para os órgãos de segurança pública e justiça, esses números são um chamado para o Rio por inteiro: precisamos de um movimento real em defesa da vida, que a refaça como valor primeiro da nossa existência coletiva, com o princípio simples de valer sempre o mesmo onde e de quem quer que seja.