Democracia é eleições livres, distribuição institucional de poderes e gestão pública republicana, mas é também a prática regular do diálogo e negociação plurais como fundamentos da qualidade das decisões, políticas e ações públicas cotidianas. Sem isso, não pode haver democracia completa nem efetiva, com a prática governamental cotidiana sendo justamente minada pela baixa legitimidade, a multiplicação de tensões sociais e o descrédito.

Dos 21 municípios da metrópole, apenas Niterói e Rio de Janeiro possuem leis de Planos de Metas, e ainda são necessários muitos avanços na participação social na sua elaboração e no monitoramento público de sua implantação.

Qualquer identidade com o contexto do Rio não será, naturalmente, coincidência. Nossa história é a da centralidade, da escassez de participação e do arbítrio recorrente na vida pública, e a experiência recente dos governos estadual e municipais na metrópole faz inevitável reconhecer que ela pouco ou nada alterou-se nos últimos anos. Da opacidade de projetos decisórios à experiência cotidiana de violações de direitos em espaços amplos do seu território, a cidade se ressente crescentemente da impermeabilidade do poder público à cidadania.

Para ser de todos, o Rio precisará assim fazer com que seu estado e política possam sê-lo também, sintonizando-se com as exigências de uma vida democrática realmente plena.