O Rio possui várias áreas a motivar atenções renovadas da sua população, na multiplicidade das suas águas marinhas, lagos, baías, florestas e paisagens naturais. Mas a Guanabara constitui certamente a mais emblemática entre elas, por seu sentido histórico e natural, seu lugar na paisagem e o sentimento profundo do fracasso sucessivo da cidade em recuperá-la.

2/3 dos habitantes da RMRJ, 8,5 milhões de pessoas, drenam esgoto diretamente para a Baía de Guanabara.

Por sobre tudo, pelo seu sentido urbanístico também: para quem foca a cidade metropolitana do Rio, a Baía impõe-se como centro e coração indissociáveis do seu tecido urbano.  O grande marco urbanístico necessário para a visão de um Rio renovado na sua plenitude é assim por natureza o de uma Guanabara revivida, pensada na sua dimensão ambiental – da despoluição há muito premente – e humana, das possibilidades multiplicadas de uso em lazer, pesca, transportes, turismo, das perspectivas de valorização da qualidade de vida em toda extensão do seu entorno.

O total de investimentos nos programas de despoluição da Baía nos últimos 24 anos corresponde a 1/3 dos gastos públicos estimados para a realização dos Jogos Olímpicos.

Também talvez mais do que qualquer outra frente, a Baía revela o desafio da coordenação de esforços para a superação dos desafios comuns: lograr a convergência de ações entre governos distintos, agentes privados e atores sociais envolvidos, e a necessária priorização de investimentos para ampará-las na escala necessária. Destinamos um total de R$ 5,8 bilhões nos últimos 24 anos aos programas de despoluição da Baía e sabemos o quanto falhamos em produzir a coordenação devida para fazê-los eficazes: apenas 33,7% da população residente na bacia da Guanabara tem acesso à coleta e tratamento de esgoto atualmente. Para ir além – na Baía e no Rio – agora, nunca é tarde para recomeçar com este sentido de prioridade e chamado comum compartilhado.